Artigo

O erro do erro


O que, costumeiramente, mais se comenta sobre o erro é o seu provável lado positivo, o aprendizado, a lição que ficou e que poderá servir de orientação. Provável, porque o erro, a depender do setor, área ou situação, pode ser fatal. Sendo assim, como avaliar um erro que ocorreu em uma cirurgia, por exemplo? Neste caso, tentar analisar o lado positivo pode parecer até um ato de insanidade. Melhor não arriscar.

 

Dentro do ambiente empresarial, o erro, poder ter sim, a conotação de aprendizado. Algo que não atingiu o objetivo, que ficou aquém do esperado, não alcançou a meta, teve resultado adverso, não surtiu efeito ou que, de algum modo não aconteceu, deve ser estudado. Logo, fica a oportunidade de aprender com ele para que não aconteça novamente. Pelo menos não da mesma maneira. Portanto, a lição é identificar o porquê de ele ter ocorrido, buscando as causas e não apenas ficar lamentando os efeitos. Sem análise não há o que aprender com o erro.

 

No Brasil, segundo o levantamento do Sebrae, o número de mortalidade de empresas está gradativamente caindo e este fato é extremamente positivo, porém, ainda metade das empresas encerram suas atividades até o quinto ano de existência. O certo é que ninguém inicia um negócio para quebrar. Logo, houve um ou mais erros no processo. Quais foram?

 

O erro pode ser individual, coletivo, por setor, áreas, circunstancial, momentâneo, passageiro, constante, perceptível, insignificante, humano, mecânico, de cálculo, de avaliação, por inexperiência, por ineficiência, por medo, por insegurança, por negligência, por excesso de confiança ou de simplificação, por falta de controles e acompanhamentos, por menosprezo, por supervalorização, por despreparo, por falta de adequação, proposital... Ou seja, o erro ocorre sob várias formas e aspectos.

 

Às vezes, o erro é de pequena monta, quase imperceptível, mas gradativamente contribui para um problema maior, de solução difícil ou que poderá exigir desembolsos financeiros inesperados. Logo, corrigir o erro pode sair caro, indo desde a insatisfação do cliente até a quebra do próprio negócio.

 

Mesmo que no mundo empresarial o erro possa ser considerado inevitável, o ideal é agir para que ele não aconteça, num trabalho permanente de análise, prevenção e planejamento. Implantar uma política de gestão voltada à autoavaliação deixando de agir a posteriori para agir a priori é uma mudança de atitude e de postura fundamental para a ruptura deste modelo. É passar a agir antes e não depois, deixando de ter o erro como ponto de mudança e de correção. Desta maneira, o grande trunfo é agir antes que o erro ocorra e, ocorrendo, minimizar os seus efeitos no negócio.

 

Jamir Boozjamir@nivel10consultoria.com.br

Consultor e sócio da Nível 10 Consultoria Empresarial.

Formado em Publicidade e Propaganda pela FURB.

Pós graduado em Gestão Empresarial , ICPG.

Publicado em 24 de abril de 2012.



Publicado em 24/04/2012 12:42:46