Artigo

Saber, fazer e saber fazer


Antes, o saber era algo para poucos privilegiados e deter esse saber fazia a diferença entre as pessoas. No mundo da informação instantânea, o saber se tornou domínio público, algo comum e que não distingue mais as pessoas, pelo menos, não da mesma forma como anteriormente. Logo, partir para a etapa seguinte, “fazer”, se transformou no óbvio, na conclusão direta e racional para a mudança esperada. “Agora que já sei, basta fazer”, não é desta forma que o raciocínio lógico acontece? Mas, por que na prática, o resultado não ocorre, ou, fica aquém do esperado nas empresas?

 

Uma das dificuldades pode estar na simplificação da situação na qual a empresa está inserida ou na superficialidade da análise. Em ambas, é gerado um “saber”, um conhecimento, uma informação sobre a situação, mas a falta de profundidade não gera sustentação suficiente para o “fazer” correto, mais adequado ou que melhor se aplica ao que foi observado. Neste caso, o problema é transferido e passa a estar em “como foi feito” ou na “condução dada ao fazer”. Assim, quanto mais se faz é provável que menos se acerte.

 

Generalizações nunca são bem-vindas e é importante que as empresas sejam analisadas individualmente. Assim como as pessoas são, cada vez mais, vistas como únicas (sempre foram, mas somente agora está se dando a devida importância a este fato), as empresas também se enquadram nesta condição. Uma mesma solução pode não ser a mais adequada para outra empresa. Partindo de uma boa análise na empresa, o “saber” facilitará o “fazer” porque dará as diretrizes adequadas para as ações necessárias aos cenários identificados.

 

O verbo “fazer” é ação importantíssima nos negócios e deve sempre estar presente. Já o “não fazer” pode representar um “dar as costas” a própria empresa, conduzindo-a gradativamente para o abismo. O “fazer por fazer” tendo como relação “melhor do que estar parado” é o mesmo que remar sem direção na esperança que algo aconteça naturalmente. Logo, o fazer é como tomar a dose certa do remédio, que não deve ser feito sem critérios e sem as devidas avaliações.

 

O “saber fazer” engloba uma série de fatores, com competências, habilidades, conhecimento, discernimento, experiência além de atitude. É um conjunto que deverá coexistir em prol de um mesmo objetivo. Agilidade e rapidez igualmente são peças importantes, mas é preciso esclarecer que isso não tem nenhuma relação com ansiedade – patologia cada vez mais comum nas empresas e entre os gestores, transformando o tempo numa eterna panela de pressão.

 

O “saber fazer” inclui da mesma forma, compatibilizar os prazos necessários com os recursos existentes ou disponibilizados (financeiro, pessoal, produtivos,...). Sem eles, é como tentar resolver uma equação incompleta. É possível tentar, mas não se chegará a nenhum resultado.

 

Para concluir, saber, fazer e saber fazer são competências e cada uma tem sua devida importância, sua ordem lógica e o momento certo para ser aplicado. Depreciar ou supervalorizar qualquer uma delas poderá gerar mais frustrações do que resultados.

 

Jamir Boozjamir@nivel10consultoria.com.br

Consultor e sócio da Nível 10 Consultoria Empresarial.

Formado em Publicidade e Propaganda pela FURB.

Pós graduado em Gestão Empresarial , ICPG.



Publicado em 20/03/2012 12:47:15