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A crise chegou. E agora?


Momentos de turbulência fazem parte de qualquer tipo de negócio, não importando o seu porte, o segmento, o mercado ou mesmo a fase. A origem da crise pode ser externa, partindo de situações específicas, como eventos climáticos, passando por questões setoriais, medidas governamentais e chegando a conjunturas econômicas, onde o movimento é em bloco e atinge maiores proporções. A crise também pode ter origem na própria empresa, como divergências entre os sócios, transição entre os herdeiros, perda de clientes importantes, problemas produtivos ou dificuldades com fornecedores. De forma geral, são muitas as possíveis causas para uma crise e, às vezes, ela é peculiar ao próprio tipo de negócio.

 

Fala-se muito que a crise é um momento de mudanças e que não se deve levar em consideração apenas os seus aspectos negativos, porém, tornar a situação uma forma de aprendizado, implantar melhorias, analisar os próprios erros e corrigi-los, exige atenção. Quando a crise atinge diretamente o caixa, como a redução do capital de giro, por exemplo, a tomada de decisão acaba tendo um peso maior e, recorrer à injeção de capital externo, como empréstimos, quase sempre é necessária para manter a empresa ativa. Neste caso, é fundamental identificar se é uma situação momentânea ou se terá um tempo maior de duração, para que não se crie outra dificuldade no futuro.

 

Sendo assim, conciliar aspectos positivos e negativos nem sempre é tarefa fácil para o gestor. Por isso, é essencial para a saúde do negócio,observar regularmente alguns sinais que podem indicar que algo já não está de acordo e, muitas vezes, são embriões de uma crise que está por vir.

 

Vejamos apenas alguns deles:

 

- Utilização regular de cheque especial;

- Necessidade de empréstimos para cobrir pagamentos dentro do mês;

- Antecipação constante dos recebíveis (desconto de duplicatas, antecipações de cheques, por exemplo);

- Aumento dos recebíveis em atraso;

- Renegociações nos prazos de pagamentos com fornecedores;

- Dificuldades em fazer o pagamento dos salários da equipe;

- Tributos não pagos dentro dos prazos estabelecidos;

- Mistura do dinheiro da empresa com o dos sócios;

- Vendas concentradas em poucos produtos, clientes, vendedores, representantes ou regiões;

- Rotatividade constante de fornecedores, funcionários ou clientes;

- Devolução constante de mercadorias;

- Crescimento da empresa baixo, irregular ou inexistente;

- Margem de lucro abaixo do mercado;

- Constante divergência entre os sócios;

- Falta de foco dos sócios no negócio (atenção a outras atividades paralelas);

- Constantes atritos com familiares, ou pessoas próximas, dentro da empresa.

 

Cada uma dessas situações faz parte de qualquer tipo de negócio e pode ocorrer em determinado momento, porém, existindo continuidade é imperativo agir. Quando há retração do mercado ou a competitividade fica mais acirrada, estes sinais tornam-se mais evidentes, entretanto, o período mais adequado para a intervenção talvez já tenha extrapolado.

 

Uma crise nem sempre avisa quando virá. Por isso é fundamental que ogestor analise regularmente como está a sua empresa, no mínimo, dentro dos aspectos que foram apresentados, e se antecipe. Como num trabalho de prevenção, deixar para ir ao médico apenas quando a doença já está instalada não é a melhor escolha. Agir ou tomar decisões sob  pressão é sempre uma alternativa difícil e o resultado obtido poderá ficar muito aquém do esperado. Consequentemente, postergar a intervenção, diminuiu as chances de cura e poderá exigir um período maior de tratamento do negócio.

 

Jamir Booz – jamir@nivel10consultoria.com.br

Consultor e sócio da Nível 10 Consultoria Empresarial.
Formado em Publicidade e Propaganda pela FURB.
Pós graduado em Gestão Empresarial , ICPG.

 



Publicado em 09/10/2012 12:53:02