Artigo

Dormiu bem hoje?


Com a proximidade do fim de ano muitos empresários começam a perder o sono. Com a alegria das festas natalinas e da virada, chegam também os desembolsos extras, como o décimo terceiro salário e as férias coletivas. Em alguns setores, como o comércio, este é o período ideal para engordar o caixa da empresa, para outros, o que foi possível fazer foi feito, resta agora se programar para o próximo ano – logo após o Carnaval, é claro. Mas algumas perguntas ficam no ar: como está o caixa da empresa? Preparado? Esperando a venda de mais produtos para ver se consegue um fôlego ou a necessidade de buscar um empréstimo já surge como única alternativa?

 

O financeiro das empresas geralmente concentra as maiores dores de cabeça, mas provavelmente não é nele que está a origem da dificuldade. Ele pode estar apenas repercutindo um problema gerado em outras áreas. Ao buscar a solução por meio de um empréstimo para capital de giro, por exemplo, a ação pode ser como de um analgésico, que traz alívio, mas não combate o que realmente causou a dor. 

 

Os noticiários recentes mostram a luta que o Grupo EBX, do ex-mega empresário Eike Batista, está travando com os credores para conseguir honrar os compromissos ou, pelo menos, conseguir respirar melhor, negociando a ampliação nos prazos de pagamentos. Sim, realmente este é um bom exemplo do que a falta de dinheiro causa, seja numa mega empresa ou no empreendimento do proprietário da banca de revistas da esquina. A dor de cabeça é a mesma, mas a pergunta é: por que o dinheiro faltou? É na busca dessa resposta que o empresário, com uma análise criteriosa sobre a própria empresa e o mercado em que ela está inserida, conseguirá visualizar melhor onde está a verdadeira causa do problema.

 

No caso do Grupo EBX, o exemplo se tornou didático. Na ânsia de mega resultados e visualização de lucros estrondosos por meio da exploração do pré-sal muitos entraram nesse mar. Não demorou muito para o sonho se transformar em pesadelo. O fato é que a exploração do pré-sal requer o desenvolvimento de uma tecnologia que ainda não existe e que precisará de muito mais tempo para ser alcançada. Até lá, o sonho terá que esperar. Enquanto isso, aquela grana que deveria ter entrado no caixa da OSX não pingou e, investidores, credores, fornecedores e funcionários passaram a ter dores de cabeça também. Para todo esse grupo, dormir bem já ficou muito mais difícil.

 

Agir depois de a dificuldade financeira ter se instalado tem sempre um entrave maior e o ideal é estar atento, observando com atenção como está o dia a dia. Se a empresa está constantemente tendo que recorrer a bancos e factorings, para antecipar títulos ou cheques, e se o dinheiro da venda que acabou de acontecer tem que sair correndo para honrar aquela duplicata que está pendente no cartório é sinal de que algo já não está bem e a repetição dessa necessidade mostra uma tendência perigosa. Posições conformistas de que as coisas sempre foram assim ou pensamentos esperançosos de que, no futuro, tudo irá mudar podem estar escondendo uma situação grave. O gestor pode ter perdido a visão da realidade ou, até, pode estar evitando enxergá-la.

 

Dificuldades surgem a todo instante e esse é o grande desafio de quem é empresário: saber enfrentá-las. O fim de ano não deveria ser visto como um período de salvação, porque é quando as vendas aumentaram, ou como uma época de grande sacrifício, tendo que correr para buscar dinheiro e cobrir a folha de pagamento e o décimo terceiro salário. O fim do ano deveria ser um coroamento do planejamento com a ação bem executada ao longo de todo o período, trazendo o resultado esperado para o caixa e mantendo o sono tranquilo e os sonhos bem ativos para o ano que virá.

 

Jamir Booz

Consultor e sócio da Nível 10 Consultoria Empresarial

Formado em Publicidade e Propaganda pela Furb

Pós-graduado em Gestão Empresarial pelo ICPG



Publicado em 17/12/2013 10:47:48