Artigo

O país das desilusões


Com Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 2 trilhões de dólares – sétima maior economia mundial –, uma força de trabalho de 107 milhões de pessoas, grande produção e exportação de commodities minerais e agrícolas, o Brasil é um país com potencial para ser uma das melhores e mais importantes nações do Planeta. Por que essa condição favorável parece nunca se reverter em benefícios para os brasileiros?

 

Os analistas apontam para um conjunto de elementos que contribuem para essa situação, que vão deste a origem colonial até o desleixo com que a população trata os próprios direitos e obrigações. Diante desse quadro, o fator que mais intriga é a incapacidade ou mesmo dificuldade do País de autotransformação. O conformismo parece estar enraizado em quase todas as esferas.

 

As questões políticas têm uma boa dose de contribuição e a forma com a Copa do Mundo foi conduzida é um bom exemplo. Quando foi definido que o Brasil seria sede em 2014, várias cidades brasileiras demonstraram interesse em aproveitar o raro momento. Por razões ‘políticas’, visando ficar de bem com a maioria, o governo federal negociou 16 sedes com a FIFA. Para a alegria dos políticos locais, das oito que a entidade sempre exigiu, as negociações terminaram em 12, um resultado positivo e fruto de muitas ‘negociações’. O famoso ‘legado da Copa’ é que alguns desses estádios dificilmente conseguirão manter a estrutura montada e os times locais ainda estão distante das grandes participações nacionais. A dúvida que fica é: o que fazer com os estádios após o término da Copa? Há quem diga que um deles pode se transformar em presídio.

 

Soluções mirabolantes a parte, há questões cruciais como gastos, desperdícios e desvios de verbas que comprometem por demais o avanço do País, além de uma generalizada falta de planejamento e de projetos a longo prazo. Essa situação não ocorre apenas na esfera pública, mas também na iniciativa privada. O País, como um todo, parece não compreender bem o real significado das palavras planejamento e futuro.

 

Entre avanços, tropeços, retrocessos, indignações, incertezas, instabilidade e dúvidas, o País caminha sem rumo certo, desperdiçando oportunidades e desleixando-se de si mesmo. Controle, organização, foco e empenho são a base para um crescimento sustentável e diversos países mundo afora já ensinaram isso. É necessário que cada um esteja envolvido, como pessoa e cidadão, que faça boas escolhas, que esteja comprometido com o que é correto, que cuide do que é de todos e deixe de lado o ‘jeitinho’. Sem isso, o Brasil continuará transformando a esperança em desilusões e nada mais.

 

Jamir Booz

Consultor e sócio da Nível 10 Consultoria Empresarial

Formado em Publicidade e Propaganda pela Furb

Pós-graduado em Gestão Empresarial pelo ICPG

 

 



Publicado em 30/07/2014 10:04:29