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Cadê o lucro?


Por mais simples que possa parecer essa pergunta, ainda é comum encontrarmos empresas que desconhecem a margem de lucro ou até mesmo não sabem se ela existe. Há, ainda, quem confunda resultado com saldo bancário ou fluxo de caixa. Enquanto estiver positivo, deve estar dando lucro. Muitos empresários, mesmo diante do esforço em tornar o negócio próspero, não conseguem enxergar o resultado. Nesse ponto, o leque de possibilidades aumenta e a verificação imediata é fundamental para a saúde dos negócios.

 

A primeira situação a ser observada é se realmente todo o esforço está gerando resultado positivo. Para isso, é necessário analisar os custos que a empresa tem para produzir ou revender, no caso de comércio. Quando a quantidade de itens é muito variada, é preciso trabalhar com grupos ou famílias. A importância de controlar dessa forma está no levantamento correto do custo, que sempre varia muito. Analisar de maneira única poderá fazer com que alguns itens fiquem com valores distantes da realidade, o que pode gerar precificações equivocadas.

 

Outro ponto está nas despesas. Elas deverão estar adequadas ao momento do negócio. Para ficar mais claro: com o crescimento da empresa, é comum que novas rotinas, procedimentos e pessoas sejam incorporados ao processo, porém esse incremento deve estar atrelado a um aumento no faturamento que, proporcionalmente, mantém ou até reduz o percentual. Aumentar as despesas sem aumentar o faturamento é sacrificar a margem de lucro.

 

Há outras situações que também devem ser analisadas com atenção. Por necessidade de caixa, algumas empresas acabam fazendo antecipações de recebíveis. Esse ‘desconto de título’, como é chamado, reduz a margem de lucro e, se feito regularmente, pode estar escondendo outra dificuldade, seja interna ou de mercado, que o negócio apresenta.

 

A confusão dos ‘bolsos’ também deve ser vista com atenção, principalmente em empresas familiares. Quando não há essa separação a empresa, às vezes, acaba arcando com as necessidades da família e ficando sem fôlego financeiro para a própria manutenção. A mistura, nesses casos, entre pró-labore e retirada de lucro, é comum e o resultado, mesmo existindo, acaba não aparecendo.

 

Outro item a ser observado é o que se faz com o lucro. Muitos consideram apenas o caixa como destino, mas não é bem assim. Ele pode estar no imobilizado, ou seja, a empresa adquiriu algum bem e está pagando por ele ou a empresa pode estar aumentando seu estoque. Em ambos os caso, o lucro pode estar ocorrendo, porém foi destinado para outros ativos.

 

Esses itens são apenas algumas possibilidades, mas cada empresa faz a sua história e a análise individual poderá apresentar outras situações. O ideal é ter informações corretas e verificar regularmente o próprio negócio, como se estivesse fazendo um check-up. Assim, se houver necessidade de correções ou adequações, o movimento tende a ser mais rápido e assertivo.

 

Jamir Booz

Consultor e sócio da Nível 10 Consultoria Empresarial

Formado em Publicidade e Propaganda pela Furb

Pós-graduado em Gestão Empresarial pelo ICPG

 



Publicado em 09/10/2014 14:51:50