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Esperança não é estratégia


No momento em que uma empresa caminha para o abismo, fica difícil acreditar que é possível reverter a situação. Quando isso acontece, quem passa a balizar as decisões é a esperança, e não a estratégia. Acreditar em si mesmo, na equipe, na estrutura da empresa, nos diferenciais, na mudança de mercado ou de conjuntura é fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento, porém é preciso referendar de alguma maneira esse posicionamento. Uma forma de fazer isso é por intermédios dos números.

 

Aprender a analisar os números e o que eles dizem é vital, porque os dados de uma empresa, estruturados dentro de uma metodologia voltada à gestão, não apenas contam uma história, mas também indicam uma tendência e podem representar um possível cenário para o futuro, com poder de mudar o rumo do negócio.

 

Decisões carregadas de emoções e desejos geralmente maquiam a realidade e transformam o empresário num jogador de pôquer, de modo que os movimentos são cada vez mais cercados de risco. Justamente por isso, admitir a realidade pode ser um processo extremamente difícil e doloroso para esse empresário. Perder, assumir um prejuízo, um erro, um equívoco está fora de questão e continuar, mesmo que o rombo aumente a cada movimento, é considerada como a única alternativa. Na verdade, o maior erro está na insistência, na teimosia.

 

Dar um passo atrás, voltar em uma decisão, mudar o rumo, desde que balizado em uma estratégia ou mesmo em uma necessidade, deve ser considerado como procedimento normal para qualquer empresário, independente do ramo de atividade. O essencial é ter condições para fazê-lo de forma segura e referendada. Aprender a analisar os números da empresa, seja ela pequena ou de grande porte, é o que transforma o proprietário em um verdadeiro gestor.

 

Num mercado incerto como o brasileiro, em que as decisões econômicas do País são mais políticas do que estratégicas, as empresas precisam estar um passo à frente para adotarem modelos de gestão eficientes, incorporando metodologias para análise e tomadas de decisão no cotidiano corporativo. Não se trata de burocratizar processos, mas, sim, de ter o hábito de analisar os dados do negócio como um todo, não apenas avaliando se há lucro ou não. É preciso entender quais movimentos foram assertivos ou equivocados para que as decisões sejam mais estratégicas e menos ancoradas na esperança.

 

Jamir Booz

Sócio e consultor da Nível 10 Consultoria Empresarial

jamir@nivel10consultoria.com.br

 



Publicado em 18/02/2015 10:59:25