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Um bom negócio pede acordo societário


Imagine o seguinte cenário: você tem 30 anos de idade, uma baita ideia e resolve se juntar com mais duas pessoas para levá-la adiante, constituindo uma empresa. Essas duas pessoas têm 35 e 40 anos, uma é do sexo masculino e solteira, a outra é uma mulher, casada e com dois filhos. O negócio deu certo e, 10 anos depois, entrou bastante dinheiro na empresa e todos se beneficiaram do sucesso financeiro, mudando o padrão de vida. Um belo dia houve um racha entre os três sócios e a empresa se dissolveu, uma vez que o nível de discordância sobre os rumos do negócio chegou a um ponto insuportável.

 

No caso hipotético acima, após 10 anos, você se casou, o seu sócio solteiro passou a consumir todo o recurso oriundo do negócio sem nenhuma preocupação com poupança (perfil extremamente consumista) e sua sócia se separou e casou-se novamente com uma pessoa que passou a interferir na empresa.

 

Parece cena de novela? Isso não existe?  Muito bem, por incrível que pareça, acontece muito nas organizações, uma vez que o ambiente em que vivemos é extremamente mutável. Pessoas mudam de opinião, se apaixonam, envelhecem, o governo altera constantemente as regras vigentes, as regras sociais estão em permanente alteração, a tecnologia interfere intensamente no comportamento das pessoas, a família está em permanente mutação, enfim, tudo muda o tempo todo. Muda o indivíduo em si, as pessoas que lhe rodeiam e também as regras sociais ou legais. Portanto, as condições em que a parceria foi negociada 10 anos atrás não valem mais.

 

Uma boa forma de evitar situações incontornáveis (estamos falando do meio empresarial) é fazer um acordo societário e revisá-lo periodicamente. Essa é uma forma de, a cada ano, por exemplo, fazer uma reflexão conjunta das mudanças que estão acontecendo com os sócios, em nível pessoal, e com a sociedade, e também quais são as novas regras legais ou governamentais vigentes. Isso, por si só, agrega muito conteúdo nas forças que atuam na transformação da empresa e, com isso, melhora significativamente a chance de evitar crises incontornáveis, pois os problemas passam a ser gerenciados no nascedouro.

 

A opção por fazer acordos societários vale tanto para empresas que estão nascendo como para aquelas que já existem, não importando a idade e, lembre-se desta máxima: se não foi possível escrever o que ficou acordado é porque não ficou claro ou há segundas intenções em alterar futuramente o que tinha sido combinado.

 

Moacyr França Filho

Consultor e sócio da Nível 10

moacyr@nivel10consultoria.com.br

 



Publicado em 16/03/2015 12:34:39