Artigo

Brasil, o País das incertezas


Para muitos, a palavra planejamento ainda tem uma conotação negativa, associada à perda de tempo, burocracia e análises que não chegam a lugar algum. Pode parecer absurdo, mas é assim mesmo: na maioria das vezes não temos o hábito de olhar adiante, focamos o imediatismo, agimos sem organização, planos ou projetos.

 

Essa triste realidade não é privilégio de um ou outro setor, mas parece estar enraizada desde a formação do País e está presente no nosso cotidiano. As instituições públicas que nos regem em todas as esferas simplesmente não agem, a não ser em causa própria, ou movimentam-se aos solavancos sob o peso da pressão popular. Planejar e seguir uma linha de trabalho e conduta parece simplifica demais o processo, expondo o pouco esforço que nossos representantes precisariam fazer para, de fato, realizarem algo positivo.

 

Temos ainda que conviver com a falta de comprometimento com a ‘acabativa’. Nesse nosso lugar chamado Brasil, inúmeros projetos e obras são iniciados, mas somente depois de muito esforço, perda de tempo, de dinheiro e desgaste são concluídos. Alguns não têm a mesma sorte e ficam pelo meio do caminho. Somos cercados de exemplos ruins.

 

Por outro lado, a própria população não demonstra clareza nos próprios desejos, mas esbanjam insatisfação com os representantes que, por mais que os indícios indiquem culpa, que participam em algum esquema de corrupção, desvio de dinheiro ou têm má conduta, habilmente se colocam na condição de vítima e partem para o ataque dos acusadores. No Brasil é assim: quem acusa é o culpado.

 

Há ainda um questionamento que é feito continuamente por aqui: “Qual é o melhor caminho para o País?”.  Para responder, entramos em discussões intermináveis, sobrecarregados de análises, pontos de vistas divergentes e as conclusões nunca são conclusivas. Pode até parecer estranho, mas isso não tem nada a ver com planejamento. É apenas a constatação do fato de que temos o hábito de enrolar quando não queremos fazer algo.

 

Parece que estamos sempre querendo fazer algo novo, diferente e inovador, mas diversas nações já nos mostraram o óbvio e insistimos em não ver. Toda nação forte começou com uma educação de base forte. O restante vem a reboque.

 

É triste constatar que diante de tanto potencial e capacidade, somos chamados de ‘anão diplomático’, como fez Israel, por não nos posicionarmos claramente nas questões mundiais. A visão é ruim, mas o que se constata é que no Brasil a única coisa que permanece certa são as incertezas.

Jamir Booz é sócio e consultor da Nível 10 Consultoria Empresarial e também atende pelo Sebrae.

 



Publicado em 29/06/2015 12:50:51