Artigo

O que será de ‘nóis’?


Sempre fui uma pessoa otimista, que acreditava no futuro grandioso deste País, mesmo diante das dificuldades conjunturais existentes, mas confesso que estou sendo, gradativamente, forçado a pensar diferente. Ao me deparar com as declarações do nosso antigo dirigente maior, que falava errado e se orgulhava de não ter o hábito da leitura, fico preocupado. Além da sua continuidade no poder, seus seguidores trataram de incorporar um adjetivo com flexão que soa muito estranho e que, sejamos sinceros, não existe no português: Presidenta. Com esse termo, falar errado e cometer outros ‘erros’ passou a ser oficial no Brasil.

 

Agora, diante de tantos desvios descobertos a cada semana, da pornografia mamária que é feita com o dinheiro público e da inoperância do governo, somos forçados a ouvir da nossa ‘Presidenta’ que tudo não passa de “um ajuste necessário para que o País volte a crescer”. Vemos empresas com dificuldades para se manter, vendas reduzindo e muitas incertezas quanto ao que ainda virá. O mercado, assim como todo brasileiro consciente, está preocupado.

 

A tragédia que as empresas e os empresários estão vivendo é muito maior do que o mais ilustre dramaturgo poderia imaginar para uma novela Global. A oposição, que poderia ser uma opção natural de mudança, se mostra tão incompetente e desorganizada que é praticamente impossível pensar em um final feliz.

 

Viver em um mercado cercado de incertezas passou a ser um exercício de sobrevivência. Como numa prova de Iron Man, todos os limites estão sendo testados, mas o fato é que pouquíssimas empresas que atuam no mercado interno estão preparadas para tamanha resistência. Como nem tudo são lágrimas, o Dólar em alta incentivou as exportações e o agronegócio tem sido um dos raros segmentos que enxerga oportunidades neste momento difícil.

 

Com um cenário tão ruim, os trabalhadores acabam por ter seu drama ampliado: demissões, dificuldades em recolocação, desemprego em alta. Por causa de uma política equivocada que incentivou o consumo desordenado nos últimos anos, o País está pagando um preço alto pela ineficiência na gestão.

 

Parafraseando Raul Seixas, “confesso que estou decepcionado” com tudo isso que estou vendo e vivendo. Para piorar ainda mais, uma recente declaração da nossa ‘Presidenta’ deixou o mais sábio dos sábios completamente estarrecido: “A meta será aberta e quando atingirmos a meta ela irá dobrar”. Como no Enigma da Esfinge – ‘Decifra-me ou devoro-te’ –, penso que nem o mais brilhante dos cientistas, como o físico britânico Stephen Hawking, conseguiria responder essa questão. Talvez, seja mais fácil entender a origem do universo.

 

Jamir Booz

jamir@nivel10consultoria.com.br

Consultor empresarial, sócio da Nível 10 Consultoria Empresarial e consultor do Sebrae.

 



Publicado em 10/09/2015 15:00:06